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O dióxido de titânio é um aditivo bastante usado em alimentos, produtos de higiene pessoal (xampu, desodorante, creme dental), cosméticos, etc. Após o uso, as partículas de dióxido de titânio alcançam os sistemas de esgoto sanitário e, subsequentemente, são lançados no meio ambiente no solo ou nos corpos hídricos receptores. Neste trabalho, os autores quantificaram as quantidades de TiO2 em alimentos  e discutiram o impacto de  nanopartículas de TiO2 que entra no meio ambiente. Chama a atenção que os alimentos que contém maiores quantidades de TiO2 são as balas, gomas de mascar e doces, cujo consumo entre as crianças é maior do que entre adultos. No TiO2-grau alimentar (E171), cerca de 36% das partículas têm menos de 100 nm de tamanho, enquanto que o TiO2 usado em produtos de higiene pessoal, menos de 5% das partículas têm tamanho inferior a 450 nm. Dos produtos de higiene pessoal, as pastas de dente e protetores solares contém de 1 a mais de 10% de TiO2.

A produção anual TiO2 nos Estados Unidos  é  superior a 1,3 milhões de toneladas e representa cerca de 25 % da produção mundial. Estima-se que cerca de 2,5% desta quantidade é produzida na forma de nanopartículas. De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer [2], o TiO2 é classificado como “possivelmente carcinogênico para humanos” , com evidências suficientes em experimentos com animais, mas as evidências de estudos epidemiológicos são inadequadas. No entanto, nenhuma informação foi dada sobre o tamanho das partículas, e, portanto, estudos mais aprofundados ainda são necessários para avaliar os resultados em diferentes condições de exposição, agravados do fato de que as crianças são o alvo principal para a exposição TiO2 por ingestão ( doces de, gomas de mascar e bebidas).

A Professora Maria Vittoria Diamanti, do Instituto Politécnico de Milão [3] afirma que o TiO2 pode ser considerado um material biologicamente inerte. Por outro lado, estudos em animais e humanos mostraram que as nanopartículas inaladas (NPS) são menos eficientemente removidas do que partículas maiores, devido aos mecanismos de depuração de macrófagos nos pulmões, causando  danos nos pulmões. Além disso, as nanopartículas podem se deslocar através do sistema circulatório, linfático, e nervosos de muitos tecidos e órgãos, incluindo o cérebro. Assim, a forma e a estrutura das partículas parecem ser ainda mais determinante que a sua dimensão. A forma normalmente arredonda e equiaxial das nanopartículas de TiO2, e a baixa reatividade dos pós utilizados produtos comerciais, reduziria o risco associado às nanopartículas de TiO2.

Embora a inalação seja o ponto de entrada mais vulnerável no corpo, a Profa Diamanti afirma que provavelmente exerce o menor risco, devido ao baixo tempo de exposição de pessoas comuns; Entretanto, pode ser perigoso para trabalhadores na fabricação de nanopartículas de TiO2 ou produtos contendo TiO2.  Ainda, não existem estudos conclusivos que permitam associar a exposição ocupacional do TiO2 e aumento dos riscos para o câncer.

Com relação aos protetores solares, os experimentos realizados com os produtos atualmente no mercado americano, mostraram que o TiO2 (geralmente na forma de rutilo) não penetra na pele saudável e portanto não atingem células, órgãos ou tecidos. No caso específico das nanopartículas de TiO2, o mecanismo de interação que gera maiores preocupações é o stress oxidativo causado pela produção de espécies reativas de oxigênio , que são responsáveis por processo inflamatórios.  A formação dessas espécies reativas de oxigênio é mediada pelo TiO2, especialmente na estrutura anatase, sob radiação UV.

A possível liberação de nanopartículas de TiO2 para o meio ambiente pelo uso de revestimentos e tintas fotocatalíticas pode ser também uma fonte de contaminação da água, produzindo efeitos ecotoxicológicos na vida aquática [4,5]. Neste caso, a Profa Diamanti esclarece que a exposição por curto espaço de tempo não produziu efeitos tóxicos, mas não se tem resultados sobre a exposição prolongada, evidenciando a necessidade de pesquisa no assunto.

 

Referências

[1] Alex Weir, Paul Westerhoff, Lars Fabricius ,Kiril Hristovski, and Natalie von Goetz, Titanium Dioxide Nanoparticles in Food and Personal Care Products, Environ. Sci. Technol., 2012, 46 (4), pp 2242–2250

[2] IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans, Volume 93: Carbon Black, Titanium Dioxide, and Talc (Lyon, France, 2010). Published by the World health organization international agency for research on cancer, http://monographs.iarc.fr/ENG/Publications/techrep42/TR42-4.pdf

[3] http://gelvin.squarespace.com/green-technology-forum/2012/2/21/professor-maria-vittoria-diamanti-on-titanium-dioxide-toxici.html, 21 de fevereiro de 2012.

[4] R. Kaegi, A. Ulrich, B. Sinnet, R. Vonbank, A. Wichser, S. Zuleeg, H. Simmler, S. Brunner, H. Vonmont, M. Burkhardt, M. Boller, Synthetic TiO2 nanoparticle emission from exterior facades into the aquatic environment. Environmental pollution 156 (2008) 233-239.

[5] Cristina Buzea, Ivan I. Pacheco, Kevin Robbie, Nanomaterials and nanoparticles: Sources and toxicity. Biointerphases 2 (2007) MR17-MR71.

Categorias: Fotocatálise, Sociedade

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